Donos de grandes campanhas e com desfalques, Uruguai e França vão para o “tudo ou nada” rumo as semis

Na abertura das quartas-de-final da Copa do Mundo 2018, um duelo extremamente aguardado entre talvez as duas melhores seleções do torneio até o momento: o Uruguai de Suárez, Cavani e Godín enfrentará a poderosa França de Griezmann, Pogba e da sensação Mbappé na próxima sexta-feira (6), em Nizhny Novgorod. Ambas as equipes chegam de classificações épicas nas oitavas, onde os franceses bateram a Argentina por 4-3 e mandaram Lionel Messi para casa demonstrando todo seu poder de fogo, enquanto os uruguaios fizeram uma atuação impecável e anularam Cristiano Ronaldo, eliminando Portugal em uma bela vitória por 2-1.

Mesmo com as grandes campanhas na fase de grupos e o belo futebol que ambas vem apresentando, os dois times devem chegar desfalcados para a decisão: após ser punido com cartão, Matuidi ficará de fora do duelo e Tolisso deverá substitui-lo, enquanto os uruguaios poderão ficar justamente sem Cavani, que se machucou no jogo com Portugal se torna o grande ponto de interrogação dos sulamericanos.

(Imagem destacada: Divulgação/FFF)

A partida também promete ser uma destruidora de estatísticas: por um lado, a França não perde para seleções sul-americanas em Mundiais há 40 anos, desde a derrota para a Argentina em 1978, sendo o grande “bicho-papão” do continente (Brasil que o diga). Por outro, o Uruguai nunca foi batido pelos franceses em Copas, vencendo em 1966 e empatando em 2002 e 2010, além de só ter sido derrotado pelos “bleus” em uma partida amistosa, em 1985, em todas as setes vezes em que os países se enfrentaram na história.

França possui um plantel de estrelas e um novato “destruidor de zagas”, mas ainda precisa de ajustes

A equipe da terra de Napoleão tem vivido um belo ressurgimento nos últimos anos: além de ter feito uma Copa decente em 2014, vem se renovando com jovens talentos que tem sido estrelas nos principais clubes da Europa. Essas peças levaram a seleção para a final da Eurocopa 2016 e se classificaram em primeiro lugar nas eliminatórias para 2018, despontando desde o ano passado como um dos grandes favoritos a conquistar o caneco na Rússia. Com toda essa pompa e expectativa, os europeus fizeram uma estreia nada convincente contra a Austrália, vencendo por 2-1 e sofrendo mais do que o esperado, melhoraram na vitória por 1-0 em cima do Peru, jogando com autoridade e tendo seu novato Mbappé mostrando que daria trabalho aos defensores no torneio, e fizeram um “jogo de compadres” contra a Dinamarca, usando jogadores reservas e segurando o resultado que era suficiente para a classificação na liderança do grupo C.

Já nas oitavas, enfrentaram uma Argentina fraca taticamente e inferior porém motivada, e conseguiram avançar graças ao talento de Mbappé, que marcou dois gols e ganhou um penâlti, só faltando fazer chover na zaga “hermana”, e toda a qualidade técnica de seus atletas. Porém, a mais jovem equipe desta copa (média de 26 anos) ainda possui seus pontos fracos: contra o Peru e principalmente contra a Argentina, os “bleus” demonstraram uma grande dificuldade de acertar a finalização, mesmo com um ataque de qualidade e um meio criativo, e desperdiçaram inúmeras oportunidades de golear e liquidar a partida para evitar dramas desnecessários. Os comandados de Didier Deschamps conseguem propor jogo, avançar em velocidade e encaixar contra-ataques letais, mas pecam demasiadamente no último passe e assim, acabam por perder um “caminhão” de gols em suas partidas, problema esse que pode vir a ser fatal contra uma marcação tão bem estruturada quanto a dos uruguaios.

Além disso, a defesa também precisa de reparos, pois apesar de nomes como Umtiti, Varane e Pavard, que tem apresentado boas atuações, ao longo dos 90 minutos o sistema de marcação abre alguns espaços e falha em conter avanços em velocidade. Um bom exemplo disso foi quando os marcadores franceses deixaram Di Maria completamente sozinho e com bastante espaço para chutar de fora da área e empatar o jogo para a Argentina, que poderia ter ficado com a classificação (vide as falhas defensivas) se tivesse pego uma equipe menos talentosa. Da mesma forma, a baixa idade e pouca experiência dos franceses em copas também pode ser um revés, visto que a maioria de seu elenco é estreante na competição e ainda não possuem a mesma “malandragem” dos sulamericanos em mata-matas (muitos deles que já disputam sua terceira edição esta ano).

Com o futebol mais equilibrado do torneio, Uruguai precisará segurar o talento francês para manter a “freguesia”, mas um desfalque pode fazer falta

Após décadas e décadas de ostracismo em copas, a “celeste” renasceu na África do Sul em 2010, com o belo esquadrão de Diego Forlán e Suárez, que chegaram até as semi-finais e deram alegrias que seus torcedores não viam a muito tempo com a conquista invicta da Copa América de 2011. Isso tudo sob a batuta de “el maestroOscar Tabárez, atual comandante da seleção que já está a doze anos no cargo e que é o técnico que mais comandou os uruguaios na história, sendo o principal responsável pela reformulação do esporte nacional e pelo retorno do país ao protagonismo no futebol mundial nos últimos anos. Mesmo tendo feito uma ótima campanha nas eliminatórias, ninguém apontava os bi-campeões mundiais como um dos favoritos ao título de 2018, fato que os celestes já provaram estar equivocado desde a fase de grupos.

O Uruguai estreou com vitória por 1-0 em cima do aguardado Egito, em uma atuação dominante que voltou a se repetir na vitória por 1-0 sobre a fraca Arábia Saudita. Já na última rodada e com a classificação assegurada, encarou a arrasadora Rússia e não tomou conhecimento da anfitriã: 3-0 em uma brilhante partida da celebrada dupla de ataque, que também foi o terror de Portugal nas oitavas. Com a exibição perfeita de seu sistema defensivo bem postado que anulou Cristiano Ronaldo, Suárez e Cavani tiveram liberdade para criar na frente e marcaram os dois gols da classificação uruguaia (ambos de Cavani com assistência de Suárez).

Porém, apesar da magistral campanha dos sulamericanos (4 jogos, 7 gols pró e apenas 1 contra), uma gigantesca preocupação assola o ambiente celeste: Cavani, que se lesionou durante o duelo contra os portugueses, muito provavelmente ficará de fora da partida. Os exames realizados no início da semana apontam que o atacante sofre de um edema na panturrilha esquerda que o torna indisposto para assumir a titularidade na partida. Apesar de não ter treinado ao longo da semana e ter feito apenas um trabalho individual com a bola no CT nesta quinta-feira (5), Tabárez ainda não confirmou e nem negou a participação do craque na decisão, deixando sua escalação em aberto e não informando nem mesmo se o atleta começará no banco: “Nós queremos jogar o jogo e queremos ganhar de quem competimos. Não queremos dar o mínimo espaço a coisas que nada têm a ver. Vocês não vão ter toda a informação, como eu tampouco tenho, não sei quem vai substituir o francês (Matuidi) que está suspenso. São 24 horas de paciência e mais nada“, disse o comandante em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira (5).

O duelo acontecerá as 11h (Horário de Brasília) e será o primeiro jogo das quartas-de-final. O vencedor irá encarar ou o Brasil ou a Bélgica na semi-final.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.