#ACERVO2L: Dínamo de Zagreb: símbolo de um país independente, o elo entre as duas grandes seleções croatas

Quem acompanhou a Copa de 2018 disputada na Rússia se surpreendeu ao ver um país do leste europeu com pouco mais de 20 anos de existência e com nada mais que cerca de 4 milhões de habitantes chegar a sua primeira final e ao segundo pódio em 20 anos.

Os croatas podem não ter todo o poderio econômico e midiático que os grandes países europeus têm como suas ligas multimilionárias e seus craques mundialmente conhecidos, mas eles são herdeiros de uma escola de futebol muito respeitada na segunda metade do século XX.

A Dissolução da Iugoslávia e Guerra (s) de Independência

a fragmentacao da iugoslavia

Os anos 1990 foram conturbados na península balcânica. A Iugoslávia, país que aglutinava diversas nações como Croácia, Sérvia, Albânia, Macedônia, todos com culturas e etnias muito diversificadas entre si, entrou em declínio. Isso causou uma efervescência entre os povos para que eles, finalmente, se tornassem independentes. Começava assim a história da dissolução da República Socialista da Iugoslávia.

A terceira guerra balcânica, como chamou o jornalista britânico Misha Glenny, em alusão aos dois primeiros incidentes ocorridos nas primeiras décadas do século XX, ou como se convencionou chamar, Guerra de Secessão Iugoslava, foi uma série de conflitos que se arrastou por mais de uma década, entre 1991 e 2001. Uma dessas frentes de batalha foi a Guerra de Independência Croata, que durou de março de 1991 a novembro de 1995, sendo travada em dois momentos distintos.

No primeiro deles, o povo croata batalhou em um conflito armado contra o Exército Popular Iugoslavo (JNA), que era contra a independência. Após obter a independência da Iugoslávia, os croatas se depararam com um problema interno de grande gravidade. No interior de seu território – agora autônomo – havia uma quantidade significativa de habitantes da etnia sérvia, favoráveis a Belgrado e contra a secessão. Essa fatia da população controlava cerca de 25% da área do novo país e se encontrava muito bem equipada para o embate. Esta guerra civil durou até 1995, quando foi assinado o Protocolo de Paris, que encerrou os conflitos entre croatas, sérvios e bósnios, que entraram no conflito após ter parte de seu território invadido pelos sérvios. Foram criados dois estados autônomos, a Federação Bósnio-Croata (que ficou conhecida como Bósnia-Herzegovina) e a República da Sérvia.

Como o futebol se encaixa nisso?

A Iugoslávia era um país muito respeitado no futebol europeu. Tinha como grande característica um jogo rápido e envolvente com excelente qualidade no toque de bola, tanto que antes de sua dissolução, teve um de seus principais times – o Estrela Vermelha de Belgrado – como campeão da Copa dos Campeões da UEFA (1990-1991), torneio equivalente a atual Liga dos Campeões da Europa, em uma final épica contra o Olympique de Marseille de Amoros, Abedi Pelé e Papin.

Com a separação dos outros países da antiga Iugoslávia, o povo croata viu o seu clube mais popular, o Dínamo de Zagreb, começar a crescer, pois até a independência era um clube apenas de médio porte, devido a concentração de craques que ficou do lado quadriculado da fragmentada nação balcânica.

Craques como Davor Suker, Zmonivir Boban, Robert Prosinecki, que foram campeões mundiais de juniores da FIFA em 1987, ficaram do lado croata da fronteira. Suker e Boban jogaram juntos no Dínamo entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990. A parceria entre os dois daria os primeiros frutos para a torcida quadriculada no futebol, com uma boa participação na Eurocopa de 1996, sendo eliminados nas quartas-de-final pela poderosa Alemanha de Ziege, Möeler, Scholl e Klinsmann.

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Foto: Davor Suker e Zmonivir Boban/ Imortais do Futebol

A segunda grande competição da primeira geração croata foi a Copa do Mundo da França em 1998. Mais uma vez capitaneados por Boban e Suker, o elenco que contava também com craques como Ladic, Prosinecki, Asanovic e Bilic, a Croácia passou com facilidade pela primeira fase. Nas oitavas, pegou a ótima Romênia de Popescu e Hagi, e em um jogo equilibrado, passou com um gol de pênalti de Suker.

Nas quartas-de-final, o confronto de 1996 se repetiu. Os croatas estavam frente a frente com os alemães mais uma vez. Porém, o resultado foi muito diferente do que previa a crônica esportiva da época. Com gols de Jarni, Vlaovic e Suker, os croatas atropelaram o time de Matthäus e Klinsmann, garantindo a classificação entre os quatro melhores do torneio.

A semifinal seria contra os donos da casa. A temida França de Zidane, Deschamps, Petit e Blanc, não fazia uma copa de se encher os olhos. Porém, em uma das maiores recuperações individuais de um jogador de futebol, o zagueiro/ lateral Lilian Thuram, que falhou no gol croata, virou o jogo com dois gols e colocou os anfitriões de 1998 na final contra a seleção brasileira.

A geração croata finalizou sua primeira participação em copas do mundo com uma vitória contra a seleção holandesa de Kluivert, Davids e Bergkamp, garantindo o terceiro lugar da competição.

O domínio caseiro do grande celeiro de craques

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Foto: Dínamo Zagreb/ Divulgação (gnkdinamo.hr)

 

A chegada do terceiro milênio consolidou o domínio do clube azul de Zagreb. Desde o ano 2000, o Dínamo venceu 13 Campeonatos Croatas e 10 Copas da Croácia, além garantir participação constante nas competições européias desde a sua independência.

Além disso, o clube continuou revelando bons jogadores, como Ivica Olic, os irmãos Kranjcar, Pranjic e Vukojevic, além de alguns craques que compuseram a geração croata que se sagrou vice-campeã da Copa de 2018, na Rússia, como Luka Modric, Dejan Lovren, Mario Mandzukic, Vedran Corluka e Milan Badelj.

Os  Plavi (Os Azuis), são conhecidos em seu país foram os vice-campeões da edição 2017-2018 do Campeonato nacional, assegurando vaga para os playoffs da Liga dos Campeões da Europa.

As grandes gerações croatas

O time-base da geração da Euro 1996 e da Copa de 1998 era comandado pelo treinador Miroslav Blazevic e  jogava no esquema 3-5-2 e tinha Prosinecki como um 12º segundo jogador devido a insistência do treinador em não escalá-lo no 11 inicial.  A seleção xadrez disputou as competições com a seguinte escalação:

Ladic; Simic, Stanic e Bilic; Stanic (Prosinecki), Soldo (Jurcic), Asanovic, Boban e Jarni; Vlaovic (Boksic) e Suker;

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Foto: Lars Barson/ FIFA.com

 

Por sua vez, o time croata de 2018, foi comandado pelo treinador Zlatko Dalic, que assumiu em outubro de 2017, para levar a seleção nacional a sua quinta participação em copas desde 1998 (ficou fora apenas em 2010).

O time croata de 2018 era recheado de jogadores conhecidos a nível mundial. Comandados por Rakitic, Mandzukic e Luka Modric.

A escalação do esquadrão croata era composta por:

Subasic; Vrsaljko (Jedvaj), Vida, Lovren (Corluka), Strinic (Pivaric); Rakitic (Badelj), Brozovic (Kovacic), Modric; Rebic, Perisic e Mandzukic (Kramaric).

 

 

 

 

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