#OcupaGeneral: Em protesto, torcedores do Botafogo invadem sede do clube

A noite desta quarta-feira (25) foi agitada em General Severiano: após uma intensa mobilização nas redes sociais, que chegou ao topo dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter (trending topics), cerca de 100 torcedores botafoguenses realizaram um movimentado protesto na frente da sede administrativa do clube durante uma reunião do Conselho Deliberativo para votar o adiantamento de receitas. Durante a manifestação, uma parcela de torcedores pulou os muros e invadiu a sede, buscando um diálogo direto com a presidência do conselho e interrompendo a reunião, que acabou por ser naturalmente suspensa com o ocorrido, mas finalizada após o termino do ato, no ginásio do clube.

(Imagens: Luiz Pedro Pires)

O evento começou com uma movimentação tranquila a princípio, se tornando mais intensa a partir das 18h30 (horário de Brasília). Sob uma faixa com os dizeres Pela mudança do estatuto, sócio-torcedor com direito a voto, os torcedores demonstraram toda sua insatisfação com a atual gestão de Nelson Mufarrej, assim como outros problemas que o clube vem enfrentando nos últimos anos. A escassez de boas contratações e de revelações da base, a crise financeira, a falta de ambição e transparência, o afastamento do torcedor dos assuntos políticos e o incômodo jejum de títulos de expressão, que já dura 23 anos, foram algumas das pautas levantadas pelos presentes, que sonham com dias melhores que o Glorioso não vê desde a longínqua década de 1990.

Até quando ficaremos parados? Nós somos quatro milhões de torcedores, e hoje a torcida do Botafogo com certeza decidiu acordar. (…) Esse ato não é da torcida A, B ou C, e sim da torcida do Botafogo, que em sua grande maioria está indignada com tudo que vem acontecendo no clube“, iniciou o torcedor Rodrigo Mancha, fundador da Fogoró e do grupo Renova 2020.

O título de 1995 já faz 23 anos, e aí? Vamos esperar outro título carioca para fingir que está tudo maneiro e que estamos felizes? É isso que iremos encontrar se a gente não se movimentar“, completou Rodrigo, em alusão ao Campeonato Brasileiro de 1995, último título de nível nacional conquistado pelo Botafogo.

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Também houve cobranças pelo balanço apresentado pela diretoria. Um abaixo-assinado tentou  buscar 200 assinaturas a fim de cobrar explicações referentes aos atuais balanços divulgados, onde se questionou que o superávit apresentado não condiz com o pedido de antecipação de receitas.

Logo nos primeiros minutos do protesto, Mufarrej chegou a sede às 18h52, sendo hostilizado pelos torcedores enquanto atravessava o jardim em direção ao salão que realizaria a votação, e logo foi embora. Após isso, quatro bombas caseiras explodiram próximas a entrada do clube, atitude essa que foi repreendida por boa parte dos botafoguenses presentes, e a polícia foi acionada para ficar de prontidão no local e evitar um possível tumulto.

Não iremos conseguir nada jogando bombas, por que é tudo o que eles querem. Pois amanhã a mídia só vai falar que aqui só tem marginal. Se ficarmos aqui falando a noite inteira e uma bomba estourar lá dentro, eles só falarão da bomba e nada sobre as nossas pautas. (…) Assim como eles são diretores do Botafogo e precisam estar preparados para pressão, nós não podemos extrapolar o limite da lógica, não vai adiantar, esse não é o sentido do ato“, condenou Rodrigo.

Ao longo da manifestação, nomes importantes como Antônio Carlos Mantuano, ex-vice de futebol, e Vinicius Assumpção, candidato a presidência do clube em 2013, também foram ao microfone para expressar seu descontentamento com os problemas do alvinegro ao lado dos torcedores comuns. Assim como Marcelo Guimarães, candidato na última eleição e oposição à diretoria atual, foi ao lado de fora conceder uma breve entrevista a um torcedor. “Eu gostaria de dizer que o maior responsável pelo fracasso da maioria dos clubes, especialmente do Botafogo, é o Conselho Deliberativo“, disse Mantuano.

(Foto: Marcelo Guimarães, ex-candidato e membro da oposição)

Um dos momentos que mais simbolizou o atrito ideológico em General Severiano foi quando o conselheiro Paulo Marcelo só apareceu do lado de fora, encarando uma multidão que ficava cada vez mais enfurecida,  para aplaudir o discurso do advogado botafoguense André Barros, onde a maioria interpretou como ironia. A resposta da torcida foi hostil, com ovos sendo arremessados na direção do conselheiro, porém sem acertá-lo. Confira no vídeo abaixo:

A invasão da sede

Em meio ao conflitos de ideias, as crescentes hostilidades e provocações, e aos inflamados discursos dos manifestantes, uma parcela dos torcedores se dirigiram até a entrada do clube e conseguiram invadir, forçando o portão de ferro e pulando por cima dos muros. A reunião foi interrompida com a entrada da torcida no recinto, devido a abordagem relativamente agressiva por parte dos invasores, que reivindicavam uma maior participação no assuntos do clube, a democratização e transparência das atividades políticas e econômicas, bem como mudanças no estatuto dos sócios para tornar as exigências possíveis.

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Ao início das tensões e antes mesmo da invasão, o presidente alvinegro foi levado para fora da sede. Quem não possuiu a mesma sorte foi José Aurélio Domingues, presidente do Conselho Deliberativo, que foi diretamente confrontado pelos botafoguenses e se viu cercado na invasão, precisando ser amparado para deixar o local, sob a alegação de estar passando mal. Após a entrada da torcida, atos de vandalismo e depredação do patrimônio do clube, como a quebra de portas, foram notificados e alguns conselheiros abandonaram o recinto.

“Já que invadiu, não vamos quebrar nada“, bradou o torcedor Heitor Lima, líder da Folgada, tentando acalmar os ânimos. Com o suposto adiamento da reunião, a torcida comemorou e começou a se dispersar e ir embora.

A reunião

Sem conseguir vender jogadores como IgorRabello na janela de transferências da Europa e sem poder contar com o dinheiro de patrocínio da Caixa Econômica Federal, além da precoce eliminação na primeira fase da Copa do Brasil, o Botafogo mergulha cada vez mais em uma grave crise econômica. Dessa forma, o Conselho Deliberativo convocou uma reunião extraordinária para votar sobre medidas que seriam tomadas pela diretoria para amenizar o déficit, entre elas o pedido de adiantamento das cotas de televisão de 2019, medida duramente criticada pelos torcedores por correr o risco de prejudicar gravemente as futuras gestões.

Após o tumulto da invasão e da dispersão dos botafoguenses, o conselho voltou atrás e manteve a votação em curso, que foi realocada para o ginásio, nos fundos da sede. Lá, a medida que a torcida ia embora, os conselheiros votavam pela aprovação dos pontos previstos na convocação. Dessa maneira, o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Luiz Octávio F.B. Vieira, renunciou ao cargo por não concordar com atitudes do grupo que está no comando.

No fim, todos os pontos foram aprovados pela votação, incluindo a polêmica antecipação de receitas (em decisão não-unanime).

Em meio ao caos e vindo de uma sequência pífia no Campeonato Brasileiro, com duas derrotas para Corinthians e Flamengo, o alvinegro comandado por Marcos Paquetá chega com a corda no pescoço para receber a Chapecoense no Nilton Santos, nesta quinta-feira (26). O clube ocupa atualmente a décima segunda colocação na tabela, e está a três pontos da zona de rebaixamento.

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