Futebol e cultura brasileira: Um caso de amor? (Piloto)

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Reprdução/GQ A

A cultura brasileira no século passado é alvo dos mais diversos questionamentos. Desde a semana de arte moderna nos anos 1920 que uma pergunta quase que imperativa era formulada e mexia com as elites intelectuais e estéticas do nosso país: onde poderia ser encontrada a cultura brasileira? Como fazê-la? Seria sujeitando-se ao estrangeirismo e ao universalismo da criação artística? Ou buscaríamos um molde especialmente tupiniquim de significados e práticas culturais? O discurso nacionalista do Estado Novo, os movimentos de valorização da cultura nacional como CPC e MCP, as vanguardas estéticas e culturais de fim dos anos sessenta, como tropicalismo e cinema novo estão todos imbuídos por essa busca. A busca do que significa as práticas e representações do que é o Brasil, nas mais diversas expressões.

É nesse ponto que o futebol aparece como um elemento agregador. Inicialmente tomado como uma prática desportiva das elites e de ocupação de seu tempo livre, o esporte bretão se firmou no Brasil, podemos notar isso com a movimentação dos clássicos regionais a nível local e com a copa do mundo em nível internacional, como uma das maiores representações da cultura nacional. Mesmo com toda a pompa dada aos ingleses com o título de inventores do futebol, é no Brasil que o título “País do Futebol” ganha sentido. Títulos e coroas à parte é importante lembrar que olhando os dados brutos, a frieza dos números, talvez tal título não fosse justo. A média de público de países como Alemanha, Inglaterra são maiores. Aqui ao lado, na vizinha Argentina temos tal fenômeno se repetindo: média maior de comparecimento aos estádios, imprensa esportiva desenvolvida e maior aproximação do dia a dia do futebol com os torcedores. Mas o elemento que talvez caracterize o Brasil como “país do futebol” é a quantidade de práticas sociais e de significados que aqui apareceram. Talvez o conselho do genial Nelson Rodrigues faça sentido quando o assunto é bola: em futebol a frieza dos números pode transformar o analista em idiota, quem repete números e dados o tempo inteiro é um idiota da objetividade.

Poucos países do mundo têm ao seu dispor uma quantidade tão grande de vocabulário próprio com relação à um esporte como o Brasil desenvolveu com o futebol. Aqui, um drible ganha contornos de diferenciação regional. Cada espaço do país desenvolve seu vocabulário de jogo, de modo que: uma saia em Pernambuco, é uma caneta no sudeste; uma lambreta no nordeste é uma carretilha no sul. Até na hora do chamamento do jogo e da prática esportiva nos diferenciamos. Na Bahia não se bate pelada, bate-se o BABA.

Esse texto é a abertura de um escritura quinzenal para esse blog, tentaremos trazer alguns aspectos importantes do futebol com a cultura brasileira. Os causos contados serão muitos, as peripécias e o reino trágico do futebol nos permitirão apresentar reis e bobos, artistas e brucutus, poetas e boêmios, malandros e santos. Bem-vindos! Aguardo vocês com muitos causos e também muitas estórias.

Sugestão de Leitura:

Mário Filho. O Negro no futebol brasileiro.

Nelson Rodrigues. A Pátria de Chuteiras.

Eduardo Galeano. Futebol ao sol e à sombra.

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