Gestão perdida e time sem perspectiva: Sport vive maior crise dos últimos anos

As quatro derrotas consecutivas do Sport no recomeço do Campeonato Brasileiro atestaram a péssima fase vivida fora e dentro do campo. Unanimidade na eleição rubro-negra para o biênio 2017-18, o presidente Arnaldo Barros é o maior responsável pelo momento atual. Com promessas que visavam evoluir a imagem leonina, Arnaldo cumpriu pouquíssimas e retrocedeu os avanços realizados nas gestões anteriores. Curiosamente, apesar de carregar a maior função no clube, não exerce, quando recusa dar as caras para explicações. O mandatário ‘empurra com a barriga’ seus últimos meses na presidência, mesmo rejeitado por grande parte da torcida.

Os problemas também abrangem as quatro linhas. Após fazer um trabalho impecável no começo da Série A, Claudinei Oliveira aparenta estar no limite de seu trabalho. O treinador foi contratado pelo desempenho no limitado Avaí em 2017, quando conseguiu manter a equipe viva na última rodada contra o rebaixamento. Na retomada do Brasileirão depois da Copa do Mundo, a performance não continuou e Claudinei não demonstra ter outras cartas no baralho para reverter a situação. Faltando 21 rodadas para o término da competição, o Sport precisa encontrar formas de arrumar a casa antes que seu próprio campeonato acabe. Confira a seguir os fatos que fazem parte do caos instaurado na Ilha do Retiro.

Negociações

Everton Felipe

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Everton Felipe se apresentou ao São Paulo nesta terça-feira (9). Foto: Érico Leonan/saopaulofc.net

É  um jogador que eu acho que precisa sair do Sport“, afirmou Guilherme Beltrão, vice-presidente de futebol, sobre a situação de Everton Felipe. A declaração era mais um passo para a iminente saída do jovem meio-campista procurado por vários clubes, entre eles o São Paulo, que acertou a sua contratação nesta semana. Mais do que qualquer um, Beltrão deveria saber os problemas de limitação do seu elenco. Desde quando retornou à Série A, em 2014, o Sport sofre fisicamente por conta da restrição no número de jogadores capazes de jogar na elite do futebol brasileiro. Não por acaso, cai de rendimento na tabela. Em 2016, Everton Felipe participou em 36 dos 38 jogos disputados pelo time rubro-negro no Brasileirão, e provou de lá pra cá, ser uma peça interessante nos onze iniciais ou banco de reservas.

Em setembro de 2017, rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo e passou por cirurgia. O meia passou oito meses longe dos gramados, e quando voltou, em maio, havia perdido espaço. Além de precoce, a saída do prata da casa é uma perda injustificável. É contraditório vender o melhor jogador da posição no momento, enquanto Michel Bastos, Rogério, Andrigo ou Rafael Marques não fazem por merecer a vaga de titular, e se queixar da dificuldade do mercado.

Ronaldo Alves

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Defensor não vive boa fase com camisa rubro-negra. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Contratado no meio do Campeonato Brasileiro de 2016, Ronaldo Alves fez parte do ajuste que salvou o Sport do descenso naquele ano. Na temporada seguinte, no entanto, participou ativamente da péssima campanha rubro-negra, e levou o rubro-negro à marca de pior defesa da competição. Em 2018, o defensor continuou sem repetir as boas atuações da sua temporada de estreia e comete falhas bizarras, afetando os resultados da equipe. Ainda assim, o time leonino recebeu uma proposta milionária vindo da Turquia pelo zagueiro. Perto do término do contrato, seria a chance para o Sport lucrar e se desfazer do atleta que prejudica a equipe pela má fase. Porém, devido ao péssimo planejamento e a falta de jogadores na posição após a venda de Oswaldo Henríquez ao Vasco, a direção se viu obrigada a bancar a sua permanência, renovar o contrato e aumentar o salário para R$200 mil.

Crise financeira

O Sport sempre foi muito elogiado por ser um dos poucos clubes brasileiros que honrava os compromissos com os funcionários. Por muito tempo, chegou a ser orgulho da torcida rubro-negra. Entretanto, cerca de 10 anos após sem atrasar salários, o clube faltou pagar dois meses aos atletas, quase no fim do Campeonato Brasileiro 2017. Por conta da pouco transparência, demorou para a crise financeira vir à tona. A instabilidade foi refletida na montagem do elenco para 2018. André, Diego Souza e Rithely, ditos craques da equipe, foram negociados. Sem condições de repor na altura, houve diminuição na folha salarial em tentativa de arrumar a casa. Ainda assim, não foi suficiente e os atrasos continuaram. Nelsinho Baptista, ex-treinador contratado para montar o Leão no início da temporada, pediu demissão em tom de desabafo pela situação na qual encontrou o clube:  “Estou fora do Sport. Não consigo trabalhar com pessoas que enganam todo mundo”, disse ele. Atualmente, há uma folha em aberto, junto a valores referentes à carteira de trabalho e direitos de imagem dos atletas.

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Foto: Anderson Freire/Sport Club do Recife

Arnaldo Barros quando assumiu a presidência, encontrou a maior receita da história rubro-negra, no montante de R$ 129,5 milhões. Perto do término, seu biênio deve entregar, por outro lado, uma despesa total de R$ 247.702.644. O passivo supera em  R$ 3,36 milhões a gestão de seu antecessor, João Humberto Martorelli, quem indicou e apoiou Arnaldo na eleição.

Se nas temporadas anteriores o Sport se salvou devido aos nomes individuais e boas contratações no meio do campeonato, não é o que acontecerá neste ano. Mais modesto, o time deve confiar no conjunto e aquisições razoáveis para seguir vivo no Brasileirão.

Claudinei Oliveira

Mesmo comandando o rebaixado Avaí em 2017, Claudinei Oliveira chamou atenção durante o Campeonato Brasileiro. Com equipe candidata a rebaixamento e jogadores limitados , o treinador implantou um sistema defensivo eficiente que dificultou grandes adversários na competição e por pouco não salvou os catarinenses. O pedido de demissão de Nelsinho Baptista obrigou a diretoria procurar um treinador que soubesse trabalhar com time e recursos restritos. Claudinei surgiu como o nome mais viável, tanto financeiramente como no estilo de jogo. As primeiras partidas surpreenderam na rápida organização rubro-negra em campo, principalmente defensivamente. As boas atuações agregadas aos resultados subiram o Leão na tabela, e outra vez, o técnico foi sensação no campeonato. Seu grande trunfo estava no meio de campo, comandado por Anselmo. Além da marca como artilheiro, o volante guiava a saída de bola e carregava ao ataque, com muito ímpeto e potência. Emprestado pelo Internacional, a ótima fase levou seu nome para o mundo árabe, que enviou uma proposta irrecusável ao clube gaúcho e o jogador. Não demorou para a saída repercutir na equipe, que caiu de rendimento logo em seguida.

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“Empolgou”: Claudinei Oliveira perdeu os conceitos que deram certos após subir na tabela. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Ainda que seja algo relevante, a ausência de Anselmo não foi a única razão para a queda do Sport na tabela. Diferentemente da passagem no Avaí, Claudinei Oliveira possui mais qualidade para montar o time titular. Assim como em Santa Catarina, conseguiu encaixar um competente sistema defensivo, mas desta vez ficando nas primeiras posições. A boa colocação mudou as convicções do treinador, e o modo de jogar rubro-negro se tornou mais ofensivo. A partir daí, o que havia sido construído anteriormente se perdeu. Dentre os 21 pontos disputados, o time conquistou apenas 2. Se contar partidas depois da parada da Copa, chegou a quatro derrotas consecutivas contra adversários diretos na tabela, em exceção do Flamengo, de maneira embaraçosa. A defesa, tão elogiada, aparece entre as piores da competição e demonstra que o período de inter-temporada não serviu para ajustar erros. Apesar da sequência de escolhas equivocadas, Claudinei continua insistindo na forma de jogar e em jogadores ineficazes. Por mais que seja insustentável sua permanência, a diretoria prefere blindar o treinador e acreditar em alguma reviravolta improvável. Sem dinheiro, sem gestão, e sem comando, o Sport precisa se esforçar, mais do que nunca, para escapar do rebaixamento pelo terceiro ano seguido.

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