Futebol Brasileiro: Por que tantas trocas de técnicos?

Tão previsível quanto uma troca de treinador no Brasil, são as reações da comunidade esportiva nesse aspecto. De um lado, ficam a maioria dos torcedores impacientes com a sequência de resultados negativos, apoiando a saída do comandante da equipe devido a má fase, ou por conta de alguma eliminação, do outro lado fica a maioria imprensa, criticando as tantas trocas de treinadores no futebol brasileiro, cobrando um maior planejamento dos clubes mesmo que sempre critique a figura do treinador nas derrotas e no meio desse quadro, os dirigentes dos próprios clubes tomando suas decisões.

A resposta para essa tensão não é simples, o problema é o extremismo de ambas as partes, tanto dos que defendem a troca insana de treinadores motivadas pelo “resultadismo” que é essa impaciência que impede o trabalho a médio e longo prazo como acontece na maioria das vezes provocados pela pressa e desconhecimento futebolístico, quanto os que defendem a permanência incondicional do técnico a frente da sua equipe mesmo quando o trabalho não está sendo bem executado. Você aqui não vai encontrar uma formula mágica de como lhe com essa problemática, a ideia é demonstrar o cenário cheio de contradições que acontece na maioria dos clubes brasileiros, que começa na escolha, até a demissão do treinador e tentar entender porque há tantas trocas.

QUANDO FALTA CRITÉRIO…

A contratação de um treinador é crucial para o começo e andamento de um trabalho, no entanto, na maioria dos casos, a aquisição do profissional se dá por elementos que não visam uma integração do trabalho, e fatores como salário, história com o clube (por mais distante que seja) e disponibilidade no mercado, são levados mais em consideração do que a forma de trabalhar do comandante, relacionamento com jogadores ou se o mesmo tem um elenco adaptado ao perfil do treinador, por exemplo, caso o elenco disponha de jogadores de mais marcação e de velocidade do meio pra frente, vale a pena trazer um técnico que trabalhe de forma mais reativa, ou se caso no elenco tenha jogadores de mais qualidade técnica no meio campo, cabe um treinador que goste mais de impor o jogo sobre a equipe rival, etc.

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Contratado pelo Palmeiras, treinador foi responsável por encaminhar o rebaixamento do clube em 2012, ano em que conseguiu último titulo no Brasil. Foto:Cesar Greco/Palmeiras/Flickr

Quando o perfil desses profissionais não são levados em consideração e o time não rende, a demissão se torna previsível e talvez a única medida a se tomar nesse contexto, visto que o modo de trabalho e o perfil do treinador não coincidiram ou não deram certo com o elenco. Nesse caso, a demissão se torna provável visto que o trabalho já foi mal iniciado e acaba se tornando necessária, pois quanto antes se identificar o trabalho mal sucedido, melhor para que se comece outro ciclo e dessa vez o trabalho seja iniciado da forma correta. O problema é que em 99% das situações, os erros voltam a se repetir e quando o substituem, os cartolas acabam errando novamente.

E QUANDO FALTA PACIÊNCIA

O problema das recorrentes trocas de treinadores no futebol brasileiro passa pela pressão descabida de todos os lados. Primeiramente a imprensa, que procura criticar os clubes pelas trocas demasiada de treinador, no entanto, acha na figura do mesmo, o culpado pela má fase do clube, levando consigo boa parte da torcida, mas também, passa  pela falta de planejamento e de confiança no trabalho do técnico por parte das diretorias. Muitas vezes, quando o treinador não é unanimidade entre os próprios dirigentes, na primeira sequência de resultados negativos, a pressão interna por parte de alguns deles, já começa a pairar sobre o trabalho do técnico que sem tranquilidade, acaba atrapalhando a evolução do time. O final desse cenário provocado pelos cartolas do próprio clube, você sabe qual é.

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Demitido com seis meses de trabalho no São Paulo, Rogério faz temporada surpreendente pelo Fortaleza. Foto: Divulgação/Paulo Pinto/SãoPaulofc.net

TAMBÉM NÃO PODEM SER INTOCÁVEIS

No entanto, os técnicos também erram e como em qualquer área de atuação, no futebol existem os bons e os maus profissionais, os que buscam se atualizar com os avanços dos estudos sobre esporte e os obsoletos, os que trabalham de forma coletiva e os que centralizam todas as decisões para si, e é por esse motivo que os treinadores não devem ser defendidos incondicionalmente. Há de se colocar que muitas vezes o treinador mesmo tendo em mãos uma boa estrutura e bons jogadores, não conseguem fazer um bom trabalho. Existe aquele que insiste com peças erradas, são os ditos “jogadores de confiança” ou que escala em posições diferentes das que os jogadores pudessem render mais e acabam não tirando tudo o que podem do elenco, tem o que se agarra às suas convicções por mais que estejam decifradas pelos rivais, aquele que não entende os limites do próprio grupo, demonstrando falta de conhecimento dos jogadores do seu elenco, o que aceita alguma proposta mais vantajosa de outro clube e acaba largando o trabalho, etc.

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Ney Franco passou dois meses a frente do Sport com esquema improvisado por opção. Foto: Willians Aguiar/ Sport Recife

A defesa incondicional dos seus cargos pode ser fatal, por isso, é preciso acompanhar e analisar caso a caso cada trabalho realizado. Demiti-los, na maioria das vezes é um erro, mas outras vezes pode ser necessário, mas desde que o desenvolvimento que for iniciado, seja planejado do início e porque não, apelar um pouco para a sorte.

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