Em primeira convocação pós-copa da Rússia, Tite inicia ciclo para o Catar com novos nomes

Edu Gaspar e Tite

Foto: Divulgação/ Twitter CBF

O novo ciclo da seleção brasileira rumo a Copa do Mundo de 2022, no Catar, começa com os amistosos a serem realizados nos próximos dias 7 e 11 de setembro. Para isso, o técnico Tite fez nesta sexta-feira (17) a primeira convocação pós-copa da Rússia. Foram convocados 24 atletas, mesclando experiência e jogadores jovens, vindos de times europeus, brasileiros e do futebol chinês.

O coordenador técnico da CBF, Edu Gaspar, pontuou que este novo ciclo já tem seu planejamento pré-definido para a disputa da copa do Catar a partir de novembro de 2022. “Dividimos esse novo ciclo de quatro anos e meio em três fases. Temos três fases em curto, médio e longo prazo. O curto vai até o fim de janeiro. O que nós consideramos o médio: caracterizamos final de dezembro até o fim da Copa América. Serão menos observações e mais Copa América. Do fim dela em diante é longo prazo”, salientou.

Entre os 24 chamados, 13 jogadores estiveram no plantel da última copa. Além disso, o treinador chamou o goleiro Hugo, do Flamengo, um jogador da seleção sub-20 sob a justificativa de fortalecer o ciclo de renovação a longo prazo, bem como dar experiência a jogadores em idade olímpica. “Todo ciclo teremos uma característica de convocação. Uma novidade que será apresentada é que teremos um atleta sub-20 convocado para a seleção principal”, afirmou Edu Gaspar.

Surgiram como novidades vários atletas que jogam em times brasileiros como o meio-campista Lucas Paquetá, do Flamengo e os atacantes Éverton, do Grêmio, e Pedro, do Fluminense. Além disso, o volante Arthur, recém-contratado pelo Barcelona junto ao Grêmio e pedido de boa parte da torcida brasileira na chamada final para a Rússia também foi convocado pela primeira vez.

Quem são os convocados?

Convocação Brasil

Foto: Divulgação/ Instagram CBF

Goleiros:

Alisson (Liverpool); Hugo (Flamengo); Neto (Valencia).

Laterais:

Fágner (Corinthians); Fabinho (Liverpool); Alex Sandro (Juventus); Filipe Luís (Atlético de Madrid).

Zagueiros:

Dedé (Cruzeiro); Felipe (Porto); Marquinhos (Paris Saint Germain) e Thiago Silva (Paris Saint Germain).

Meio-campistas:

Arthur (Barcelona); Fred (Manchester United); Andreas Pereira (Manchester United); Casemiro (Real Madrid); Renato Augusto (Beijing Guoan) e Lucas Paquetá (Flamengo).

Atacantes:

Neymar (Paris Saint Germain); Roberto Firmino (Liverpool); Éverton (Grêmio); Willian (Chelsea); Douglas Costa (Juventus); Pedro (Fluminense).

Além dos 24 da lista, o treinador citou outros nomes como Brasão (Cruzeiro), Éder Militão (Porto), David Neres (Ajax), Richarlison (Everton), Malcom (Barcelona), Vinícius Júnior (Real Madrid), Marcinho (Botafogo) e Douglas (Manchester City), que não tiveram a oportunidade nesta primeira lista, mas que estão no radar e que podem ser chamados em outras convocações.

O treinador também salientou que, visando não prejudicar os clubes brasileiros que entram na parte decisiva da temporada, convocará, no máximo, um titular de cada equipe, como foi o caso de Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Flamengo e Fluminense, nesta primeira chamada.

Respostas do Comandante

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Foto: Pedro Martins/ MowA Press

Em quase duas horas de entrevista a jornalistas de todo o país, o técnico Tite respondeu diversas questões acerca do desempenho no mundial de 2018, o futuro da seleção e a renovação que será feita neste ciclo até 2022, na primeira coletiva oficial após o retorno da seleção brasileira após eliminação em jogo contra a Bélgica, na última edição da Copa do Mundo.

O treinador não se esquivou das questões dos jornalistas e esteve acompanhado por membros de sua equipe técnica como o coordenador técnico, Edu Gaspar e do preparador físico da seleção, Fabio Mahseredjian.

Tite também anunciou os seus votos para a eleição de melhor jogador do mundo promovida pela FIFA. Para o comandante da seleção brasileira, os atletas de melhor desempenho na temporada passada foram Modric, Salah e Cristiano Ronaldo.

Questionado sobre seu desempenho durante o mundial, Tite disse que não foi perfeito e que poderia ter feito melhor em alguns momentos. “Os erros que cometi servem de aprendizado. Eu sou um profissional incompleto. A Copa do Mundo te dá a necessidade de modificações mais rápidas. Sobre acertos, não vou ficar vendendo aqui… As equipes que demonstraram o melhor desempenho foram França, Brasil, Bélgica e Croácia. Fiquei duas semanas sem dormir de novo. Às vezes acordo cabeceando a bola de Jesus, tirando a mão do Courtois”, pontuou.

Sobre a renovação do grupo, o comandante ressaltou a importância de ser desenvolver no Brasil jogadores com a função de armar o time, e neste sentido, deu destaque a Lucas Paquetá entre os novatos da convocação. “A gente está desenvolvendo, estão aparecendo jogadores nesse setor, um armador. Um cara que module, acelere e desacelere no momento certo. A nossa equipe foi a que mais agrediu dentro do Mundial, com mais oportunidades e finalização. Por vezes ficar com a bola um pouco mais… Eu penso em criar e finalizar, e finalizar no gol. O Coutinho trouxe e tem essa capacidade, Renato Augusto, Fred, Paquetá. Por ser um jogador diferente, ele (Paquetá) vai jogando em uma função mais avançada. No Flamengo, ele por vezes roda e troca funções. Então pode ser utilizado um jogador com essas características também.”

Sobre as críticas sofridas por Neymar ao longo do mundial e na fase pós-copa, o treinador da seleção saiu em defesa do camisa 10. “Não estou aqui para julgar ou conceituar comportamentos. Não vou julgar o que dizem, o que fala a imprensa. Acho que na tua pergunta tem implícita uma resposta. Não quero falar sobre essas relações, mas posso falar sobre uma. Conosco, ele merece elogios por comportamento, pela disciplina. Lembro que falei com o Muricy (Ramalho), que disse que nunca teve problemas com ele e que foi muito fácil trabalhar com o Neymar. Para mim, ele é top 3 do mundo”, argumentou.

No tocante a continuidade do trabalho, Tite disse que não se sente garantido no cargo até a Copa do Catar , daqui a 4 anos e meio e criticou a instabilidade dada aos técnicos  de futebol no Brasil. “”Não me sinto seguro. O futebol exige constantemente um grande trabalho, resultados. Ao longo da história foram Zagallo, Parreira e Dunga que permaneceram o ciclo todo. Tomara que eu consiga, que a ideia é essa”, argumentou e defendeu a importância de estar à frente de um ciclo completo na seleção, “Me ofereceram um ciclo completo, o que tanto procurei. Se tivesse um ciclo completo da primeira vez, não estaria aqui agora. Porque entendo que outro profissional mereça. Abel, Autuori, entre outros. Nomes que não tiveram essa oportunidade. Agora quero início, meio e fim”, arrematou.

Quando perguntado se ele poderia ser o técnico brasileiro na Olimpíada em Tóquio, daqui a dois anos, o comandante da seleção acredita que deva ser um profissional especializado nas competições de base. “Nós não conduzimos a situação da Olimpíada, mas temos grande profissionais. Quem consegue acompanhar os atletas da base. É muito melhor pegar um profissional com esse comportamento já pronto. Nenhuma seleção do mundo tem o técnico da principal (na olímpica). Existem os profissionais com ‘know how’. Eu sou professor de educação física, mas não sei os níveis de força dessas atletas, porque é um acompanhamento muito profundo. Se eu fosse dirigente, investiria muito mais nisso. Eu não vou. Buscando excelência, não dá para fazer”, coloca Tite.

Por fim, quando perguntado sobre o legado da campeã mundial, França, Tite coloca que ela difere de seu modo de pensar o futebol. “Estrategicamente, tem um modelo que não fazia pressão adiantada em tiro de meta. Nisso ela foi eficiente, com percentual baixo de posse e contra-ataques muito verticais com Mbappé. Atletas individualmente de muita qualidade. Existem diversos modos de vencer, ela usava pressão baixa. Eu não acredito no futebol predominantemente dessa forma. Tem que saber jogar dessa forma também, mas só dessa forma eu não seria campeão. Existem formas de acreditar e ver futebol. O modo de jogar que acredito é mais parecido com Bélgica, por exemplo”, finalizou.

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