RAIO X CORAL: Altos e baixos, reformulação e o surgimento de um xodó; o Santa Cruz que está a 180 minutos de um acesso à Série B

Instável, o Tricolor passou por muitas mudanças dentro da Série C até chegar ao mata-mata e viu nascer um novo ídolo: Pipico

Com 6 gols em 7 jogos, Pipico é o artilheiro do Santa Cruz na Série C. (FOTO: Reprodução / Rafael Melo)

Classificado para o mata-mata da Série C, o Santa Cruz está a 180 minutos de conquistar o maior objetivo da temporada: voltar a Série B do Campeonato Brasileiro. Pela frente, o Tricolor terá que bater o Operário/PR, vice-líder do Grupo B e que tem uma regularidade que já vem sendo construída a anos. Mas antes de chegar até aqui, vamos relembrar como foi a trajetória do time pernambucano.

Primeiro Turno: Excesso de empates e desconfiança

Com um primeiro turno bem abaixo do esperado, o Santa Cruz passou por muitas modificações, tanto no comando técnico, quanto com a chegada de jogadores. A campanha no primeiro turno foi repleta de empates. Por outro lado, o Tricolor só acumulou uma derrota, para o Botafogo/PB, por 3 a 2, após iniciar o jogo perdendo, virar a partida a seu favor e ceder uma nova virada aos paraibanos. Vitórias, foram três: Acreano 3 a 1, no Arruda, em uma noite chuvosa e bem especial, a volta do meia Carlinhos Paraíba, que marcou de pênalti. Fora de casa, ainda sobre os comandos de PC Gusmão, que substituiu o técnico Júnior Rocha após deixar o clube para assumir o CRB, venceu o Globo, de virada, por 2 a 1. A última vitória do primeiro turno foi diante da Juazeirense, no Arruda, com um único gol, marcado por Robinho.

Os empates foram o maior ponto de desconfiança da torcida com o time. Ao todo, foram cinco. O primeiro deles foi logo na estreia, na Arena Pernambuco, no Clássico das Emoções, diante do Náutico, que vinha embalado pelo título do Campeonato Pernambucano. Logo após o jogo, o técnico Júnior Rocha anunciou sua saída do clube e PC Gusmão foi o seu substituto.

Jogando na Arena Pernambuco, o Santa recebeu o ABC/RN, grande calo dos tricolores na temporada – O Santa Cruz enfrentou os potiguares quatro vezes, 2 jogos pela Copa do Nordeste e 2 pelo brasileiro – empatando em 0 a 0. Ainda sobre os comandos de PC, o time pernambucano empatou em Belém/PA, onde viajou para enfrentar o Remo e beliscou um empate em 1 a 1. Os outros dois empates já foram sobre o comando do atual treinador – após a eliminação da Copa do Nordeste, PC Gusmão entregou o cargo e saiu sem sequer dar entrevista pós jogo, depois de ser goleado dentro do Arruda, por 4-0, pelo ABC. Assumiu então, Roberto Fernandes, a missão de equilibrar o time na competição e logo na sua estreia, fora de casa, o Tricolor empatou com o Confiança em 1 a 1. O último empate foi em Salgueiro. No sertão pernambucano, o clube da capital voltou para Recife com um ponto na bagagem após empatar com o Salgueiro em 0 a 0.

Segundo Turno: Reação, volta ao G4 e classificação na última rodada

No segundo turno o Tricolor deu uma leve melhorada. Em algumas rodadas, viu até a classificação ameaçada pelo ABC e Botafogo/PB e com a instabilidade do “entra e sai” do G4, mas com a chegada de um “homem-gol”, o torcedor Coral ganhou um novo xodó, conseguindo a classificação na última rodada, ficando na 3º colocação.

O início do segundo turno da equipe de Roberto Fernandes ainda seguia a mesma linha do time no turno anterior. O técnico reencontrou o seu antigo clube pela primeira vez após ser Campeão Pernambucano e enfrentando uma das piores fases do clube em toda a sua história, estando na zona de rebaixamento para a Série D e viu os seus comandados serem derrotados por 1 a 0, em casa, com o Náutico 1/3 do jogo com um jogador a menos.

Como se não bastasse ter desperdiçado a oportunidade de garantir 3 pontos jogando em casa, o próximo jogo seria contra o líder do grupo, o Atlético/AC. Não teve jeito, o tricolor perdeu para os acreanos por 2 a 1 e começaram as dores de cabeça. A última derrota do Tricolor também foi fora de casa. Enfrentando o Botafogo/PB, o Santa Cruz foi derrotado por 2 a 0, com dois gols de falta de Marcos Aurélio.

Ao contrário do primeiro turno, a quantidade de empates no segundo turno foi menor, apenas dois. Enfrentando o Globo/RN, no Arruda, o Santa vencia o jogo por 1 a 0 até o último lance da partida, onde numa cobrança de falta, Max deixou tudo igual. O último, bem mais tranquilo, foi em Juazeiro/BA. Sem gols na partida, Santa Cruz e Juazeirense empataram em 0 a 0 pela penúltima rodada da primeira fase, o que praticamente garantia a classificação coral.

Com uma vitória a mais que no primeiro turno, o Santa Cruz venceu 4 vezes e contou com a ajuda de um cara que chegou para assumir o protagonismo da equipe: PIPICO! Logo na estreia, o atacante marcou duas vezes na vitória do Tricolor sobre o ABC, no Frasqueirão. No Arruda, foram mais 3 vitórias. Remo (2×0), Confiança (4×0) e na última rodada, o já rebaixado para a Série D, Salgueiro (1×0), que garantiu o Tricolor na 3º colocação do Grupo A.

Fatores determinantes para garantir a classificação

Algumas mudanças foram determinantes para que o Tricolor do Arruda conquistasse o seu primeiro objetivo na Série C. O primeiro deles, o técnico Roberto Fernandes. O treinador que é conhecido por “apagar incêndios”, encontrou no clube jogadores desmotivados pelos maus resultados recentes e também pela falta de salários. Com o passar dos jogos, logo se viu o time jogar diferente do que se via com os antigos dois treinadores que já haviam passado pelo clube, resultando no time que teve a defesa menos vazada entre os dois grupos da terceirona.

Atual treinador é uma das peças fundamentais na classificação do Tricolor. (FOTO: Divulgação / Santa Cruz Futebol Clube)

A carência de um “matador” era o maior prejuízo do Santa Cruz na temporada. Com a camisa 9, cinco jogadores foram acionados a serem artilheiros do time na temporada, mas só um deles conseguiu se destacar, o meia Héricles, que por lesão, segue afastado e se recupera no Departamento Médico do clube. Os outros quatro foram Vinícius, Alef Pitbull, Robert e, improvisado, Augusto, mas nenhum deles foram capaz de executar a função. Os três primeiros já nem fazem parte do atual elenco. Para repor o setor, foram contratados os centroavantes Lima e o atual artilheiro da equipe, Pipico.

A chegada de Pipico foi determinante para a alavancada Coral. O atacante marcou 6 gols em 7 jogos e já é ídolo da torcida, superando o também atacante Robinho, que balançou as redes 4 vezes na Série C.

Se lá na frente o problema tina sido resolvido, lá atrás, as coisas não iam nada bem. Titular absoluto desde o início da temporada, o goleiro Tiago Machowski viveu dias infelizes em jogos do Tricolor. Com falhas acumuladas, o técnico Roberto Fernandes se viu na obrigação – e com muitas críticas ao arqueiro – a mudar o camisa 1 da equipe. Assumiu a meta o goleiro Ricardo Ernesto, que com muita desconfiança, por não ter agradado a torcida nas chances que teve durante o ano e chegou não atuar bem pelo Sub-23, no Campeonato Brasileiro de Aspirantes, hoje é o titular da equipe e não sofreu gols desde que foi acionado.

O sistema defensivo também sofreu alterações. No início da temporada, a dupla de zaga era formada por Augusto Silva e Genilson. Contratado no fim do pernambucano, Danny Morais voltou ao Tricolor e ganhou a vaga de Genilson após o zagueiro sofrer uma lesão ainda na Copa do Nordeste. Iniciou-se a Série C então com Augusto Silva e Danny Morais, mas logo que foi contratado, o zagueiro Sandoval não demorou muito para roubar a vaga do jovem Augusto Silva.

Nas laterais, outras dores de cabeça fizeram com que o Santa Cruz fizesse alterações. Pelo lado esquerdo, Henrique Ávila era o único lateral-esquerdo de origem no elenco, mas com a chegada de Roberto Fernandes, no qual já haviam trabalhado juntos no Náutico e não se davam muito bem, não demorou muito para que o lateral, que vivia uma péssima fase, fosse sacado da equipe. Ainda antes de pedir dispensa, Allan Vieira foi outro que retornou ao clube e hoje é o titular absoluto. Pelo lado direito, o experiente Vítor disputa vaga com o jovem Maílton, emprestado pelo Palmeiras. Vítor é o preferido de Roberto, mas o jovem lateral, que também atua na ponta-direita, vem dando dor de cabeça na hora de montar a equipe.

O meio de campo foi o setor onde mais sofreu alterações. A começar, pela dupla de volantes. Homem de confiança de Júnior Rocha, Luiz Otávio fazia dupla com Jorginho/Leandro Salino no início da temporada. Sem agradar, Jorginho foi dispensado e Leandro Salino transferiu-se para o Botafogo/SP. Já Luíz Otávio, viu sua vaga ser ameaçada não só com a saída do treinador, mas também com a chegada de Charles, que ganhou a vaga quando o clube era comandado por PC Gusmão. Sem espaço, Luiz Otávio transferiu-se para o CRB, convocado por Rocha. Para compor a dupla de volantes, o Santa Cruz contou com um reforço de peso: Carlinhos Paraíba. Grande atração da temporada, o meia pediu para atuar como volante e não na criação do time, o que era esperado por todos, mas com algumas lesões, o experiente “camisa 12” perdeu espaço para um novo contratado, o jovem William Maranhão, que hoje é uma das principais peças no time de Roberto Fernandes. Eduardo ainda foi contratado e é opção imediata do treinador.

Se defensivamente o problema do meio de campo estava resolvido, a criação contou com a ajuda de um cara que vivia balançando as redes na Série D, Jaílson. O camisa 10 atua na ponta esquerda, lugar que antes era ocupado por Fabinho Alves, que pediu dispensa após críticas à falta de salários. Jaílson se tornou o ‘motorzinho’ do lado esquerdo e mantém a boa fase marcando gols com a camisa coral. Arthur Rezende, que prefere jogar como volante, disputa com Carlinhos Paraíba. Mas para não ficar de fora do time, o meia também atua no setor de criação sendo o homem das bolas paradas da equipe e também aparece como homem surpresa onde já marcou gols fazendo essa função.

Diferente do adversário no mata-mata, o Santa Cruz vai contar com o apoio da torcida no primeiro jogo da decisão que pode dar o acesso a um dos clubes. São esperados no Arruda, no próximo domingo (19), 50 mil pessoas para empurrar intime dianteiro Operário/PR. O jogo de volta será em Ponta Grossa/PR, no dia 26 de agosto.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.