Especial Doislances: Destrinchando Eduardo Baptista

Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Eduardo Baptista é um nome certamente controverso dentro do Sport. Enquanto muitos lembram do que o treinador conquistou, outros falam de sua saída conturbada. O fato é que após a saída de Claudinei Oliveira, Baptista foi contratado. Por isso, o Doislances decidiu por fazer este especial, destrinchando um pouco o técnico rubro-negro. Este texto tem a parceria de Luan Amaral @amaralcardoso e Eleale Roberto @elealeroberto.

Histórico

Todos já conhecem o início de carreira de Eduardo Baptista. Integrante da comissão técnica de seu pai, Nelsinho Baptista, como preparador físico, Eduardo assumiu a equipe de forma interina em 2014 após a queda de Geninho e conquistou a Copa do Nordeste e o Campeonato Pernambucano no ano de sua estreia como treinador. Foi efetivado no cargo, sofreu altos e baixos e acabou saindo para o Fluminense em setembro de 2015. Ainda assim ajudou o Sport na sua melhor campanha na era dos pontos corridos. Sexto lugar com 59 pontos.

Em sua passagem pelo Fluminense, Eduardo encontrou um clima conturbado e teve trabalho para acertar o time, já que era o quarto treinador daquele ano, mas ele conseguiu apresentar um futebol razoável e levou a equipe até as semifinais da Copa do Brasil de 2015, eliminando o Grêmio de Roger Machado, mas acabou saindo para o campeão daquele torneio, o Palmeiras.

No ano seguinte começou pressionado, fez uma péssima campanha no carioca com risco de queda, antes na pré-temporada, ficou incomodado com uma ação de marketing que obrigava a escalação de Ronaldinho no torneio da Florida, Estados Unidos. Após uma derrota contra o Botafogo foi demitido com apenas 37,1% de aproveitamento.

Na sequência, assumiu a Ponte Preta e voltou a ter um rendimento bom. Colocou a Macaca com a melhor campanha da era dos pontos corridos a exemplo do que já tinha feito no Sport. Disputou vaga na Libertadores e foi muito elogiado pelo estilo de jogo. Marcação forte e transição com qualidade. A Ponte Preta talvez tenha sido o melhor trabalho de Eduardo depois do Sport.

Eduardo assumiu o Palmeiras após deixar a Ponte. O clube vivia um momento de euforia. Recentemente coroado como campeão brasileiro, a equipe paulista sonhava com um título de Libertadores e talvez Eduardo não tivesse naquele momento, o peso histórico suficiente para suportar uma pressão desse nível.

No Palmeiras Eduardo teve 66% de aproveitamento, mais do que em suas passagens mais marcantes por Ponte e Sport. E mesmo assim sucumbiu pressão interna no clube por Cuca, campeão Brasileiro pelo time em 2016 e caiu após eliminação no paulista para a conhecida Ponte por 3×0 e derrota na Libertadores por 3×2 para o Jorge Wilsterman.

Depois de sua passagem pelo Palmeiras Eduardo assumiu o Atlético-PR e não foi bem, retornou para a Campinas e comandou a Ponte Preta mais uma vez. Dessa vez, Eduardo não conseguiu repetir o sucesso, acabou caindo com a Macaca e demitido após um paulista que não agradou. Ainda em 2018, assumiu a equipe do Coritiba; fez 18 partidas, ganhou seis, empatou oito e perdeu quatro. Aproveitamento de 48,1%.

Muito trabalho a fazer

Em quase todas as partidas que teve no Coritiba, Eduardo Baptista optou pela utilização dos esquemas 4-4-2 e 4-2-3-1, variando muitas vezes durante as partidas. Essa mudança, pelo menos nos últimos jogos, era feita em torno de Yan Sasse, que flutuava entre a posição de meia-armador e segundo atacante.

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Quando jogava mais perto de Jonatas Belusso ou Bruno Morais, centro-avantes utilizados, Yan até conseguia desempenhar um bom futebol. O calcanhar de aquiles era quando ele tinha que produzir as jogadas. Isso impactou no futebol ruim que foi visto durante boa parte da passagem de Eduardo Baptista. Houve ainda uma tentativa de colocar Yan mais aberto, com Guilherme Parede de segundo atacante. Deu certo, mas não se sabe porque Eduardo não tentou repetir.

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Logo nos dois primeiros jogos, Eduardo escalou Gabriel no time titular e a princípio, tinha-se a ideia de que ele seria esse homem que transitaria entre meio e ataque. Contra o Santos, ele pouco se movimentou e ficou mais concentrado no meio. Nas poucas vezes que teve a bola em seu domínio, esteve pouco inspirado.

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Já na partida frente ao América-MG, houve uma bagunça generalizada, principalmente no segundo tempo. Gabriel se deslocou muito para o lado direito, deixando um verdadeiro buraco no meio, explicado por uma óbvia, mas não cumprida, troca de posição com Marlone. Os dois ficaram naquele setor e deixaram um verdadeiro buraco no meio. Ficou claro que Eduardo precisa mexer nisso.

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No Coritiba, Eduardo conseguiu montar um sistema defensivo seguro, principalmente quando o clube paranaense jogava em seus domínios. Esse sucesso era explicado pela força de marcação de seus volantes. Com Deivid e Ferreira, dificilmente ele conseguirá repetir e ao que parece, continuará insistindo neste dois nomes. Talvez seja a hora de pensar em escalar o bom Jair, contratado recentemente ao Juventude e talvez, porque não, testar Nonoca, que veio com boas referências do Cruzeiro. Outra alternativa, para uma melhor saída, seria apostar novamente em Neto Moura, jogador que ajudou bastante Eduardo em sua primeira passagem.

Outro problema grave tem nome: Ronaldo Alves. Eduardo, pelo menos nos primeiros dois jogos, deixou o zagueiro como titular da equipe. Não foi diferente do resto da temporada; diversas falhas individuais que prejudicaram diretamente o time. É evidente que é preciso dar chances a Léo Ortiz ou até mesmo contar com a experiência de Durval. Adryelson, pelo menos nesse momento, na opinião deste que vos fala, estaria descartado. Não por ser um jogador ruim, pelo contrário, mas porque teria que carregar um peso absurdo.

Conclusão

Apesar de ver seu rendimento caindo com seus últimos trabalhos, Eduardo já provou que consegue trabalhar diante das adversidades. Era apenas o “filho de Nelsinho Baptista” no Sport, mas foi corajoso e competente e cravou mais seu nome na história do clube com títulos e melhor campanha da era dos pontos corridos. Levou uma coadjuvante Ponte Preta a também sua melhor campanha e por pouco não colocou a equipe de Campinas na Libertadores da América. Foi injustiçado em algumas demissões a exemplo do Palmeiras e sofreu com pressões internas e decisões políticas no Fluminense.

Mas apesar de tudo, Eduardo sempre encarou com seriedade os desafios a ele impostos. No Sport Recife não será diferente, precisa mexer com vestiário, fugir de uma crise sem fim e trabalhar com elenco limitado. Todos quesitos já vividos por Eduardo em outros clubes. A identificação também conta muito a favor de Eduardo; logo após a entrega do cargo de Claudinei Oliveira, nossa equipe presente na Ilha começou a perceber que o nome do comandante agradava a todos. Era unanime. Quando voltou a Ilha comandando a Ponte em 2016 o treinador se emocionou com os aplausos do torcedor rubro negro e cravou “aqui é minha casa”.

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